Ignorância: uma história global: o que Peter Burke ensina sobre conhecimento, educação e poder



A ignorância costuma ser vista apenas como falta de estudo ou desinformação individual. No entanto, o historiador Peter Burke propõe uma leitura muito mais profunda no livro Ignorância: uma história global: a ignorância também tem história, é socialmente construída e desempenha um papel central nas relações de poder, na educação e na política.

Neste artigo, você vai entender:

  • o conceito de ignorância segundo Peter Burke;

  • como a ignorância é produzida socialmente;

  • a relação entre ignorância, educação e desigualdade;

  • por que esse debate é essencial no mundo contemporâneo.

O que é ignorância segundo Peter Burke?

Para Peter Burke, ignorância não é apenas “não saber”. Ela pode ser entendida como:

  • ausência de conhecimento;

  • desconhecimento produzido por falta de acesso à informação;

  • recusa deliberada em saber;

  • ocultamento intencional de dados e fatos históricos.

Em outras palavras, ignorância não é neutra. Ela pode ser criada, mantida e utilizada como estratégia social e política.

A ignorância é produzida?



Entenda o conceito de agnotologia

Um dos pontos centrais do livro é a ideia de produção da ignorância, estudada por um campo chamado agnotologia — o estudo de como a ignorância é fabricada.

Isso acontece, por exemplo, quando:

  • informações científicas são desacreditadas;

  • dados são ocultados por governos ou empresas;

  • dúvidas artificiais são criadas sobre fatos já comprovados;

  • a desinformação circula em larga escala.

Esse fenômeno ajuda a explicar o negacionismo científico, a desvalorização da educação e o ataque ao conhecimento especializado.

Ignorância coletiva e educação



Peter Burke mostra que a ignorância não é apenas individual, mas também coletiva. Ela se manifesta em instituições, sistemas educacionais e organizações sociais.

Na educação, isso ocorre quando:

  • certos saberes são excluídos dos currículos;

  • conhecimentos indígenas, populares ou de grupos minorizados são silenciados;

  • a escola prioriza a memorização em vez do pensamento crítico;

  • o acesso à informação é desigual.

Nesse sentido, a ignorância contribui para a manutenção das desigualdades sociais.



Existe ignorância “positiva”?

Embora critique fortemente a ignorância produzida e estratégica, Burke reconhece que nem toda ignorância é negativa.

Na ciência e na educação, reconhecer o que não se sabe é fundamental para:

  • formular novas perguntas;

  • avançar no conhecimento;

  • evitar certezas dogmáticas.

O problema não é não saber, mas achar que sabe quando não sabe, ou recusar-se a aprender.



Vivemos na era da informação ou da ignorância?

Apesar do grande volume de informações disponível hoje, vivemos um paradoxo educacional:
👉 quanto mais informação circula, maior pode ser a confusão.

A sobrecarga informacional, aliada às redes sociais e às fake news, dificulta a análise crítica e favorece a difusão da ignorância. Por isso, a escola e a universidade têm um papel central na formação de leitores críticos e cidadãos conscientes.




Por que esse livro é importante para professores e educadores?

Ignorância: uma história global é leitura fundamental para:

  • professores da educação básica e superior;

  • estudantes de pedagogia, história e ciências humanas;

  • pesquisadores em educação e políticas públicas;

  • quem se interessa por pensamento crítico e democracia.

O livro mostra que educar não é apenas transmitir conteúdos, mas também:

  • combater silenciamentos históricos;

  • ampliar o acesso ao conhecimento;

  • ensinar a reconhecer limites do saber;

  • promover justiça cognitiva.

Não por acaso, Peter Burke dedica sua obra aos professores, reconhecendo seu papel central no enfrentamento da ignorância socialmente produzida.

  • como a educação pode combater desigualdades.

Mais do que perguntar “o que sabemos?”, Peter Burke nos provoca a refletir:
👉 “O que estamos sendo levados a ignorar?”

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